Sabemos que tais acusações são recorrentes em campanhas eleitorais e por isso entendemos como sérias as garantias que iam sendo dadas de que em Penafiel esses métodos só existiam na cabeça dos que têm uma visão da política em que os fins justificam sempre os meios, mesmo que esses meios sejam a insinuação e a mais reles das maledicências.
Uma situação, porém, nos deixou inquietos e pouco convencidos das explicações que a Câmara Municipal de Penafiel deu quando confrontada com a situação de largas dezenas de funcionários ligados a acção escolar que viram os seus contratos atingir o seu termo sem que antes fosse lançado concurso público que permitisse a contratação desses ou de outros funcionários que desempenhassem funções naquela área.
Estou a falar do concurso de admissão de pessoal auxiliar de serviços gerais e de cozinheiras.
Todos sabemos e o executivo municipal, por mais que uma vez o reconheceu, que o regular funcionamento das nossas escolas só aconteceu durante os últimos meses graças ao esforço desses funcionários que aceitaram trabalhar para a Câmara sem qualquer vínculo e em regime de voluntariado.
Muitas dessas pessoas exerceram funções de auxiliares gerais de educação e de cozinheiros durante anos. Com reconhecida competência e dedicação. Durante esses anos nunca a Câmara Municipal pôs em causa as suas competências. Seria, por isso, normal, que no concurso se assegurassem critérios de preferência à contratação desses trabalhadores, por a sua experiência ser uma mais-valia.
Naturalmente que muitos desses profissionais se disponibilizaram para trabalhar para a Câmara Municipal em regime de voluntariado na fundada expectativa de que a sua condição de trabalhadores experientes fosse considerada no concurso público que sabiam estar à bica.
Finalmente os resultados desse concurso foram conhecidos. O que deles nos é permitido adivinhar não é bonito de ser ver.
Temos agora razões para duvidar das boas intenções proclamadas pela Câmara Municipal, nas suas reuniões ou na Assembleia Municipal, que sempre justificou a situação destes trabalhadores com questões legais de procedimento concursal.
Sabemos que enquanto a Câmara avançava com aquelas razões para explicar o trabalho voluntário daqueles trabalhadores, nas freguesias alguns dos candidatos da coligação Penafiel/Quer, não tinham qualquer pejo em prometer os empregos daqueles funcionários aos fregueses que se disponibilizassem para os apoiarem ou para integrarem as suas listas.
Queremos, ainda, acreditar que essas promessas mais não eram que propaganda enganosa.
Apesar dos resultados do concurso indiciarem, em algumas concretas situações, o aparente favorecimento de alguns por razões de natureza partidária, queremos pensar que tudo não passou de infelizes coincidências, seja que os candidatos àquele concurso com ligações políticas conhecidas à coligação Penafiel Quer estavam mais habilitados ou melhor preparados e que na Câmara Municipal de Penafiel a contratação sempre se pautou pelo escrupuloso cumprimento da lei e que ninguém, por razões políticas ou partidárias, foi beneficiado ou prejudicado, neste ou em qualquer outro concurso.
Porém, do que já se conhece deste concurso e das reacções que nas freguesias se vão ouvindo, temos razões para, objectivamente, afirmar que alguns dos candidatos ao concurso de auxiliares gerais de educação e cozinheiras que nas últimas eleições autárquicas estiveram comprometidos com a candidatura do PSD/PP obtiveram as melhores classificações e que candidatos que há anos e de forma meritosa desempenharam aquelas funções e que nestas últimas eleições não foram apoiantes da candidatura da Coligação Penafiel/Quer, foram excluídos, com a justificação de que não tinham obtido a classificação mínima exigida.
Sabemos que o deputado do Partido Socialista e nosso conterrâneo Nuno Araújo está atento a esta questão e que no exercício do seu munus parlamentar já interpelou a Câmara Municipal para dar explicações sobre esta matéria.
Vamos esperar pelas respostas para delas concluirmos se houve por parte dalguns candidatos da coligação Penafiel Quer propaganda enganosa ou se, pelo contrário, o que houve foram promessas que estão já a ser cumpridas, para satisfação de uns e desespero de outros.
Uns e outros penafidelenses, todos na mesma medida e que não podem ser diferenciados em razão das suas opções políticas.


